Um dispositivo eletrônico para tratar disfunção erétil está sendo desenvolvido por um pesquisador brasileiro na Suíça. O estudo inicial com homens que passaram pela cirurgia de retirada da próstata mostrou 90% de eficácia: nove dos dez participantes conseguiram manter suas funções eréteis.
A tecnologia poderá beneficiar pacientes com câncer de próstata que precisam fazer a prostatectomia radical e perdem a função sexual. Um novo estudo está em andamento com homens paraplégicos. Há ainda planos para testar o dispositivo em casos de disfunção erétil de origem psicológica ou cardiovascular que não respondem ao tratamento oral, com os medicamentos viagra ou tadalafila.
O dispositivo funciona de forma semelhante a um marcapasso. Ele é composto por um estimulador conectado a eletrodos implantados cirurgicamente no assoalho pélvico, onde ficam os nervos danificados. Nada fica visível externamente. Há também um aparelho de controle usado pelo médico e outro acionado pelo paciente no momento do ato sexual.
“A partir daí, o médico seleciona quais eletrodos serão ativados e como será feita a estimulação. O tratamento varia conforme o tipo de paciente, podendo auxiliar tanto na reabilitação quanto na indução da ereção. Cada segmento tem sua própria programação”, explica Rodrigo Araújo, pesquisador responsável pelo projeto.
No estudo com pacientes submetidos à prostatectomia, sete dos dez homens retomaram relações sexuais sem auxílio de outros medicamentos nas primeiras seis semanas após a retirada do cateter. Dois tiveram deterioração das funções eréteis, mas eles recuperaram entre seis e nove meses após a cirurgia. Um não recuperou as funções até o final do estudo.
Um novo estudo com pacientes tetraplégicos está sendo conduzido no Brasil, em parceria com a Faculdade de Medicina do ABC. O urologista Sidney Glina, responsável pela etapa, afirma que os resultados foram mais rápidos.
“Aqui, os pacientes não retiraram a próstata, então colocamos os eletrodos diretamente sobre os nervos. Eles começaram a ter estímulos de duas a três semanas após a cicatrização”, afirma.
Ele explica que pessoas com lesões na medula espinhal perdem o controle da ereção porque não conseguem enviar estímulos. “Se você estimula o pênis, eles têm uma ereção. Eles não sentem nada, mas conseguem ter ereção —que dura pouco. O aparelho permitiu que eles a mantivessem por mais tempo e, com isso, tivessem atividade sexual”, diz.
Araújo afirma que os próximos passos incluem um teste piloto, um estudo clínico ampliado e, por fim, a submissão aos órgãos regulatórios, como a Anvisa. “A expectativa é começar a comercializar o dispositivo em cerca de dois anos, caso as aprovações sejam concedidas”, conclui.