Roupa afeta desempenho no treino? Entenda – 15/02/2026 – Equilíbrio

Pergunta: Recentemente, comecei a levar os exercícios a sério e agora tenho uma dúvida existencial: ao me exercitar, devo usar marcas diferentes ou devo ser manter fiel a uma única marca? Será que a roupa que eu uso afeta meu desempenho?

Resposta: Praticamente todas as marcas esportivas sérias estão envolvidas em uma corrida armamentista tecnológica, ocupadas em adicionar novos avanços às suas roupas de treino —absorção de umidade, acolchoamento, elasticidade— tudo em um esforço para convencê-lo de que seus produtos, e somente eles, farão você melhorar no seu esporte.

Embora isso possa ser verdade para atletas profissionais, que trabalham em estreita colaboração com seus patrocinadores de uniforme e para quem cada segundo economizado conta —a Nike projetou um sutiã esportivo super leve impresso em 3D para a corredora Faith Kipyegon, a fim de ajudá-la a tentar quebrar a barreira dos quatro minutos na milha—, é menos importante para amadores.

Para amadores, sejamos sinceros, alongar-se provavelmente conta mais.

Ao escolher roupas de treino ou se comprometer com um tipo específico de roupa, a questão para a maioria de nós pode ser mais mental do que física. Se você sente que tem mais força ou velocidade porque seu tênis ou camiseta é mais leve, você pode se movimentar como se isso fosse verdade. E se esforçar como se fosse verdade.

Não há nada de errado nisso. Sempre que conversei com atletas de competição sérios, eles disseram que a roupa que usam faz diferença. Se eles se sentem bem, têm um desempenho melhor. Em parte, isso explica a tendência entre as atletas femininas de finalmente assumirem o controle de seus próprios uniformes, em vez de usarem versões reduzidas dos uniformes masculinos.

Quanto à escolha da roupa para se exercitar, há uma série de fatores a considerar.

O primeiro critério para amadores deve ser simplesmente o que lhe parece confortável e o que você pode pagar. O investimento em equipamentos deve ser proporcional ao quão sério você leva o esporte. Lembra daqueles filmes sobre pessoas de meia-idade vestidas com a tecnologia esportiva mais recente como se fossem competir em um campeonato mundial? Quase todos são comédias.

Depois, há a questão da associação. Assim como as marcas de moda contratam celebridades como embaixadoras para atrair fãs, as marcas esportivas se associam a atletas de destaque para vender a promessa de que a tecnologia que tornou esse atleta um sucesso chegará até você. A veracidade importa menos do que sua admiração pelo atleta.

Em uma escala maior, as marcas esportivas, ainda mais do que as marcas de moda, tornaram-se hábeis em criar comunidades em torno de seus valores, de modo que muitas vezes as pessoas se consideram “fãs da Nike”, “fãs da Adidas“, “fãs da Skechers” ou até mesmo “fãs do Chuck II”. Muitas vezes pensei que há um estudo antropológico a ser feito em academias por toda a cidade que poderia mapear grupos socioculturais por marca esportiva.

Sem contar as modalidades que não se prendem a marcas, como a escalada, onde parecer servilmente dependente de um fornecedor é como usar uma placa de neon que diz “não é sério”.

Resumindo, se tênis On CloudTec, leggings NikeSKIMS e tops Adidas Techfit são a sua cara, misture e combine à vontade. Só fique atento(a), pois isso pode causar estranheza visual ou confundir a identidade que você projeta.

Por fim, seja o que for que você faça, fique longe dos equipamentos esportivos de marcas de moda de luxo. Pode haver um toque de ironia em uma bicicleta Louis Vuitton ou luvas de boxe Chanel, mas isso só funciona em ensaios fotográficos de revistas, ou talvez em Gstaad.

Autoria: FLSP

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