Rivotril em gotas retorna às farmácias após 6 meses – 11/03/2026 – Equilíbrio e Saúde

Após quase seis meses de desabastecimento, o Rivotril (clonazepam) na versão em gotas de 2,5/mg está voltando às prateleiras de farmácias no Brasil. A informação foi checada pela reportagem junto às principais redes do país e confirmada pela Biopas Brasil Produtos Farmacêuticos, responsável pela comercialização do medicamento, que afirma ter retomado a distribuição após a conclusão de atualizações na planta fabril da Itália.

A versão sublingual de 0,25 mg, porém, que também esteve em falta nas farmácias, ainda não voltou ao mercado. Segundo a Biopas, o produto está nas etapas finais do processo de transição da planta fabril para a Espanha, com previsão de retomada ainda no primeiro semestre de 2026.

A interrupção no abastecimento ocorreu em meio à transferência da produção para as novas unidades industriais na Europa, como revelou a Folha em setembro de 2025. À época, a Biopas havia informado que a distribuição da versão em gotas seria regularizada ainda em 2025, enquanto a apresentação sublingual retornaria no primeiro semestre de 2026.

“Lamentamos o período de ausência e reforçamos que a Biopas trabalhou arduamente para garantir o retorno no menor prazo possível, assegurando todos os rigorosos requisitos de qualidade e conformidade necessários”, disse a empresa em nota, que informou que não há riscos de novas interrupções de desabastecimento.

O Rivotril é amplamente utilizado para tratar diversas condições, incluindo transtornos de ansiedade e de pânico, síndromes psicóticas, crises epilépticas, espasmos infantis (síndrome de West), pernas inquietas, problemas de equilíbrio, síndrome da boca ardente e vertigem, conforme detalhado na bula.

Segundo a Biopas, a solução oral passa por um processo de distribuição gradual nas redes de farmácia, conforme a logística de cada região.

Durante o período de falta da solução oral, a empresa afirma que a versão de 2 mg em comprimidos permaneceu disponível no mercado e pôde ser utilizado como alternativa, desde que com orientação médica.

Sobre o sublingual, a empresa diz que o medicamento não foi descontinuado, apesar de informações que circularam entre pacientes e médicos nas redes sociais.

Mesmo com a retomada da distribuição, a presença do medicamento ainda é irregular nas farmácias.

A reportagem consultou os sistemas online das quatro principais redes de drogarias do país —Droga Raia, Drogasil, Farmácias Pague Menos e Drogarias São Paulo— para verificar a disponibilidade do Rivotril nas versões em gotas e sublingual nas capitais brasileiras e no Distrito Federal.

Para a consulta, foi utilizado o CEP de um órgão público de cada uma das 26 capitais, além do Distrito Federal.

Nos sistemas da Droga Raia e da Drogasil, o Rivotril em gotas não foi encontrado em Boa Vista e Florianópolis. No sistema da Drogaria São Paulo, nas cidades em que a rede atua, o medicamento não foi localizado em João Pessoa e Maceió. Já na rede Pague Menos, a versão aparece disponível em todas as capitais e no Distrito Federal.

No caso do comprimido sublingual, a disponibilidade segue bastante restrita. A versão aparece apenas em Cuiabá nos sistemas da Droga Raia e Drogasil, em Boa Vista na rede Pague Menos e no Rio de Janeiro na Drogaria São Paulo. Nos demais locais pesquisados, o produto aparece como indisponível.

A reportagem também visitou unidades físicas de farmácias na capital paulista. Em uma loja da Drogasil, funcionários informaram que havia estoque tanto da versão em gotas quanto da sublingual. Já em uma unidade da Drogaria São Paulo, apenas a solução oral estava disponível —não havia comprimidos sublinguais em nenhuma dosagem.

Diferença entre o medicamento de referência e o genérico

Quando a Folha revelou o desabastecimento do Rivotril no país, em setembro de 2025, especialistas explicaram as diferenças que os pacientes podem sentir entre um medicamento de referência e suas versões genéricas.

A psiquiatra Tânia Ferraz Alves, diretora de unidades de internação do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (IPq-HCFMUSP), afirmou que o uso de genéricos pode ser feito com segurança, desde que o tratamento seja acompanhado por um médico.

Segundo Alves, é recomendável que o paciente evite alternar entre diferentes marcas ao longo do tratamento.

“Quando há a necessidade de trocar do original para o genérico ou para um similar, recomendo escolher uma única marca e continuar comprando os produtos desse mesmo laboratório. Isso é importante porque ficar variando entre eles pode afetar a eficácia e a tolerância do paciente”, disse.

Alves explicou que um medicamento de referência, como o Rivotril, é o primeiro desenvolvido e estudado por um laboratório que detém o registro sanitário do produto no país.

Débora de Carvalho, gerente de farmácia do Hospital Sírio-Libanês, afirmou que há certo preconceito em relação aos genéricos entre alguns pacientes.

“Muitas vezes, quando um paciente recebe um genérico, parte do pressuposto de que ele não possui a mesma qualidade do medicamento de referência, o que nem sempre é verdade”, disse.

Carvalho explicou que os medicamentos genéricos precisam cumprir exigências rigorosas no Brasil, incluindo testes de bioequivalência e biodisponibilidade que comprovem que a quantidade de princípio ativo disponível no organismo é equivalente à do produto original.

“Existem algumas percepções que vêm do próprio usuário. Quando a pessoa usa regularmente uma marca específica, seja ela genérica ou similar, pode acabar percebendo diferenças, mas muitas vezes essa sensação é fruto da própria percepção do paciente”, disse.

Autoria: FLSP

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