O que a reclassificação da maconha representa para os EUA – 15/12/2025 – Equilíbrio e Saúde

Enquanto o presidente Donald Trump prepara um relaxamento histórico das restrições à maconha nos Estados Unidos, os americanos podem se perguntar o que isso significa para a compra e o uso da droga no país. A resposta: não muito.

Reclassificar a Cannabis como droga menos perigosa não a fará aparecer em farmácias ou lojas de bebidas. A expectativa é que a mudança tenha efeitos mais significativos para negócios legais e pesquisas médicas e menos impacto sobre o consumidor médio, dizem especialistas.

“Simbolicamente, isso sugere que talvez a maconha não seja tão prejudicial quanto as pessoas pensavam. Talvez ela realmente tenha alguns benefícios para a saúde”, disse Robert Mikos, professor da Faculdade de Direito de Vanderbilt, especializado em leis sobre drogas. “No lado prático, porém, o impacto é bastante reduzido.”

Substâncias incluídas na categoria 1, como heroína e LSD, são consideradas drogas com alto potencial de abuso pelo governo federal dos EUA e não têm uso médico aceito. A lei federal proíbe o cultivo e a posse de drogas dessa categoria, exceto para pesquisas aprovadas.

Trump estaria se movendo para reclassificar a maconha como uma substância da categoria 3, que inclui medicamentos prescritos como cetamina e testosterona. Drogas nessa categoria têm uso médico reconhecido e são consideradas de risco moderado a baixo para dependência física e psicológica.

A administração do ex-presidente Joe Biden buscou reclassificar a Cannabis, mas a ideia travou quando o assunto chegou à DEA (Administração de Repressão às Droga, na sigla em inglês).

Defensores da maconha dizem que a legalização completa é ideal, mas que a reclassificação representa um passo na direção certa.

“Embora tal movimento forneça alguns benefícios aos pacientes, ainda fica muito aquém das mudanças necessárias para trazer a política federal sobre maconha para o século 21”, diz Paul Armentano, diretor-adjunto da NORML, organização de defesa da legalização da maconha.

A Cannabis deveria ser completamente removida da lei de substâncias controladas, acrescenta Armentano, permitindo que os governos regulamentem a maconha da mesma forma que fazem com o tabaco e o álcool.

Em vez disso, a Cannabis está presa em um cenário legal confuso de leis estaduais e federais conflitantes. O uso recreativo da Cannabis é legal em 24 estados dos EUA, e o uso medicinal é permitido em 40. Dois terços dos adultos americanos dizem acreditar que o consumo de maconha deveria ser legal, de acordo com pesquisa Gallup realizada em outubro.

A reclassificação, contudo, não mudará a experiência cotidiana da maioria das pessoas. Levar gomas de maconha para um avião, por exemplo, ainda seria tecnicamente ilegal, mesmo se o porte for legal no estado em que você mora.

A reclassificação traria benefícios fiscais para empresas de maconha, ajudando a legitimar a indústria ao mesmo tempo em que facilita a realização de novas pesquisas, dizem os defensores.

Representantes da indústria têm defendido a mudança enquanto enfrentam a concorrência com o mercado de drogas ilícitas e altos impostos.

Há quem tema, no entanto, que a reclassificação possa prejudicar os negócios. O receio é de que o reconhecimento do valor medicinal da droga pelo governo federal possa encorajar a FDA (agência reguladora de alimentos e medicamentos) a bloquear a maconha recreativa e submeter produtos terapêuticos ao alto padrão necessário para vender medicamentos.

Embora alguns pesquisadores tenham encontrado maneiras de contornar essas regras para estudar os benefícios e riscos da droga, a reclassificação poderia simplificar esse trabalho, por exemplo reduzindo requisitos para obter e armazenar Cannabis.

Darrell Carrington, um lobista de empresas de Cannabis em Maryland, diz que mais pesquisas legitimarão ainda mais a indústria. “Estou nas nuvens”, diz. “Meu rosto está doendo de tanto sorrir.”

Autoria: FLSP

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