Mulheres fazem explante de silicone e valorizam seio menor – 01/02/2026 – Equilíbrio

A criadora de conteúdo e empreendedora digital Priscila Barros, 41, colocou silicone aos 28 já querendo tirar. “Chorei muito, nunca me identifiquei”, diz. Ela amamentou só de um lado e os seios ficaram desiguais. Médicos na época disseram que a única solução era a prótese. Agora, 13 anos depois, ela fez um explante mamário.

Priscila se junta a um movimento de mulheres que removem as próteses de silicone. Segundo os dados mais recentes da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (Isaps em inglês), foram feitos 42.231 procedimentos do tipo no Brasil em 2024, número recorde desde que começou a ser contabilizado, em 2015.

Quando fez o implante, a criadora de conteúdo conta que seus seios cederam. “Só piorou a minha autoestima, porque nunca gostei de seios grandes”, diz. Em algumas relações, não tirava o sutiã. Para disfarçar nas fotos, posava de lado. “Tirar o silicone foi como tirar um peso, sou uma pessoa completamente diferente, mais leve.”

Para a cirurgia, Priscila afirma que pediu próteses de 180 ml de um lado e 200 ml do outro, mas levou um susto quando fez o explante, há dois meses, e descobriu que elas tinham 260 ml e 280 ml. O tamanho do sutiã mudou de 42 para 46. Ela afirma ainda que teve melasma e dores constantes como consequência.

Muitas pacientes que procuram o cirurgião plástico Gilberto Pereira, especialista em explantes, relatam sintomas que relacionam ao uso das próteses, como fadiga intensa, dores musculares, alterações neurológicas e dermatológicas.

Embora ainda não seja comprovada cientificamente, a chamada “doença do silicone” é uma hipersensibilidade ao corpo estranho no organismo e causa reações imunológicas. Entre outros riscos, a prótese pode sofrer contratura ou romper.

“As pacientes que optam pelo explante o fazem porque identificam o implante como um possível fator de adoecimento. Elas priorizam a saúde e qualidade de vida, mesmo diante de perdas estéticas”, afirma Pereira.

O explante, o cirurgião alerta, não deixa de ser um procedimento complexo e caro. Também deixa cicatrizes. A cirurgia envolve a reconstrução da mama e geralmente usa tecido mamário e gordura de outras partes do corpo para preencher e remodelar o seio. O processo de recuperação envolve adaptação física e emocional, mas pode trazer impactos positivos na saúde mental, ele completa.

Além da preocupação com a saúde, a cirurgiã plástica especializada em mamas Patrícia Maciel observa uma mudança na mentalidade das pacientes, que repensam a troca do implante quando chega o prazo. Segundo ela, há uma recomendação de fabricantes que o produto seja trocado a cada 10 ou 12 anos, mas varia por pessoa.

“A moça que colocou a prótese aos 20 e poucos, numa fase em que ainda não tinha um relacionamento estável e se sentia insegura com a mama pequena, percebe aos 40 ou 50 anos que tem mais autoconfiança de viver bem sem precisar de silicone”, diz a médica.

Os implantes de silicone, criados na década de 1960, estão ligados a padrões de beleza, que são cíclicos. Depois da valorização da magreza nos anos 1980, os seios fartos tiveram um boom associado ao crescimento dessa indústria. No Brasil, eles chegaram ao auge nos anos 2000, com figuras como as Panicats. Hoje, a magreza extrema voltou à moda, na era das canetas emagrecedoras.

“As mulheres que colocaram próteses na década de 1990 hoje têm outra consciência, já viveram os desconfortos de ter uma prótese”, completa a cirurgiã. Para Pereira, o explante representa “uma ruptura com a lógica de submeter o corpo a um risco em nome da estética”.

Por outro lado, o implante de silicone continua em alta no Brasil e é a segunda cirurgia estética mais popular, segundo a Isaps. Em 2024, foram realizados 232.593 procedimentos.

A alta dos explantes acompanha uma tendência que valoriza a beleza natural e uma estética fitness, ligada a um estilo de vida saudável. “Hoje, o magro é considerado elegante, leve, confortável”, diz Maciel. Priscila, a criadora de conteúdo, sempre achou seios menores elegantes. “Lá atrás, todo mundo queria peitão, quanto maior, mais bonito. Hoje mudou completamente, as mulheres estão se identificando com peitinho.”

A cineasta Marina Person, 56, foi feliz nos primeiros anos com silicone. Ela colocou a prótese em 2002, depois de ter emagrecido seis quilos em pouco tempo. “Fiquei infeliz. Fui no cirurgião porque queria dar uma levantadinha, e não porque queria colocar prótese”, explica. Médicos também falaram que ela não escaparia do implante.

Tampouco a alertaram sobre a validade. Dez anos depois, ela trocou a prótese por outra, que achou muito grande. “Era desproporcional, não curti”, diz. Por causa de uma pequena contratura, teve de voltar à sala cirúrgica. Decidiu tirar de uma vez ao ouvir o relato de uma amiga que fez explante. “Não sabia da possibilidade, achei que estava fadada eternamente com a prótese.”

Primeiro, teve um choque com o novo tamanho. “Tive que trabalhar o meu todo internamente”, conta. Logo depois, veio o alívio. “Me acostumei no minuto que tirei a atadura. Passei o primeiro verão feliz da vida. É gostoso deitar de bruços, sentir que não tem nada estranho dentro de mim.”

Hoje, Marina entende que a prótese não combina com a fase em que está. “Não fazia o menor sentido na minha vida. Incomoda para dormir, para fazer atividades. E comecei a achar a estética feia. Acho peito pequeno bonito, a roupa fica bem melhor.”

Quando era apresentadora da MTV, diz que tinha pavor que as pessoas descobrissem, com medo que outras mulheres se estimulassem a colocar implante. Ela compartilhou a remoção no Instagram.

Para os cirurgiões plásticos, o maior acesso à informação sobre os efeitos negativos da cirurgia plástica, sobretudo nas redes sociais, contribui para a alta de explantes. Mulheres que compartilham a experiência de remover as próteses —incluindo famosas, como Carolina Dieckmann e Manu Gavassi— ajudam outras mulheres que desconhecem o procedimento ou desejavam diminuir as mamas a tomar essa decisão.

Autoria: FLSP

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