O Brasil corre sério risco de não cumprir, até 2030, as metas dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas ligadas às doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs) e à saúde mental.
Uma das principais é cortar em um terço as mortes prematuras (entre 30 e 69 anos) por DCNTs, que somam mais de 300 mil por ano. Mas o país vive estagnação —e até retrocessos, segundo relatório Spotlight 2025, apresentado na Assembleia Geral da ONU.
A mortalidade prematura por doenças crônicas segue alta, impulsionada por determinantes sociais e pela força de indústrias que lucram com o adoecimento.
O consumo de álcool e tabaco cresce, sobretudo entre jovens e mulheres, reflexo de estratégias de marketing e da fragilidade das restrições publicitárias. Medidas recentes, como a inclusão de bebidas alcoólicas, cigarros e refrigerantes na tributação seletiva, foram passos importantes, mas ainda tímidos.
É preciso ir além: aumentar impostos, restringir propaganda, controlar a oferta e garantir rótulos com advertências claras. O avanço do contrabando e dos cigarros eletrônicos exige fiscalização firme e campanhas de informação.
Na saúde mental, o quadro é igualmente preocupante. Internações por tentativas de suicídio cresceram 25% desde 2014, com alta de 72% entre mulheres jovens. A expansão dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) é positiva, mas a cobertura segue desigual.
A obesidade e o sedentarismo também disparam, alimentados pelo consumo de ultraprocessados, falta de espaços seguros e políticas urbanas negligentes.
As desigualdades raciais, de gênero e regionais agravam o cenário. Negros, especialmente mulheres, e moradores das regiões Norte e Nordeste enfrentam aclas maiores taxas de mortalidade.
Sem coragem política, regulação firme e ação intersetorial, o Brasil continuará distante dos ODS. E, pior, seguirá normalizando doenças e sofrimentos que poderiam e deveriam ser evitados.
LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.