Hospital usa realidade virtual para reabilitar pacientes – 19/02/2026 – Equilíbrio e Saúde

Foi dentro de uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva) que a procuradora municipal Priscila Valverde Pacheco dos Santos, 33, teve contato pela primeira vez com óculos de realidade virtual. Diagnosticada com pneumonia bacteriana, ela ficou nove dias internada no Hospital de Base de São José do Rio Preto (a 440 km de São Paulo), sendo a maior parte deles na UTI.

Priscila chegou ao hospital com 100% do pulmão direito comprometido e precisou ser entubada. Ainda na primeira semana de internação, ela voltou a respirar sem o auxílio dos equipamentos, mas enfrentou dificuldades para se locomover.

“Eu recebi muita medicação, meu corpo e minhas pernas incharam muito. Engordei mais de dez quilos, eu mal conseguia levantar da cama e sentia muita fraqueza”, recorda.

Esse tipo de situação é comum entre pacientes que ficam internados na UTI. Dados do Hospital de Base apontam que o paciente que fica internado, sedado e imobilizado pode perder 3% do volume de massa e força muscular por dia de internação. A chamada fraqueza adquirida na UTI ocorre devido à falta de movimentação do sistema neuromuscular.

Para minimizar esses danos, acelerar a recuperação e, consequentemente, a alta médica, o Hospital de Base passou a usar óculos de realidade virtual durante as sessões de fisioterapia com pacientes que estão na UTI, tanto do SUS (Sistema Único de Saúde) quanto da ala particular.

Por meio da tecnologia, o paciente é “teletransportado” para uma realidade bem distante da vivida em um leito de hospital, reduzindo a ansiedade, a percepção de dor e aumentando a adesão aos exercícios propostos pelos fisioterapeutas.

“Apesar de morar no interior de São Paulo, eu sou natural da Bahia e quando coloquei os óculos vi imagens de praia e é como se eu estivesse lá. Me remeteu à minha cidade natal, trouxe memórias e uma sensação de bem-estar e relaxamento. Me lembrou dos motivos que eu tinha para seguir lutando e a sessão de fisioterapia fluiu de maneira tranquila”, conta Priscila.

Cada sessão de fisioterapia dura, em média, 30 minutos, a depender da condição de saúde de cada paciente. Os primeiros 10 ou 15 minutos são feitos com o auxílio dos óculos de realidade virtual.

As imagens que “transportam” os pacientes para outro ambiente remetem sempre à natureza, como praias, campos e fundo do mar. Durante as sessões é possível que os pacientes “caminhem” por trilhas arborizadas, praias e campos floridos, com sons relaxantes da natureza. Essas paisagens ajudam a reduzir o estresse mesmo dentro da UTI.

A escolha, segundo Iuri Dheloi, fisioterapeuta do hospital, é porque esse tipo de imagem transmite calma e relaxamento.

Em todos os casos, a tecnologia é usada em conjunto com outras terapias de acordo com o perfil e condição do paciente. Equipamentos como mini bicicleta, que pode ser utilizada tanto nas mãos quanto nos pés e estimulam os movimentos, e eletroestimulação, que usa de correntes elétricas de baixa intensidade, aplicadas por meio de eletrodos colados na pele, para provocar uma reação no sistema nervoso ou nos músculos, são os mais usados pela equipe.

“Depois que passamos a usar essa tecnologia, notamos uma melhor adesão dos pacientes à fisioterapia. Eles ficam mais engajados, encaram o momento com mais leveza e isso potencializa nosso trabalho. Cada caso é único e tem suas particularidades, mas vemos que esse engajamento ajuda com que o paciente se recupere mais rápido”, diz Dheloi. “O benefício é tanto físico quanto emocional.”

As intervenções da fisioterapia na UTI, segundo o Hospital de Base, podem reduzir até três dias de internação do paciente. E não são apenas pacientes internados há vários dias na UTI que recebem a tecnologia como auxiliar no tratamento. Pacientes com previsão de internação rápida no setor também passam pela terapia.

Internada há um dia após passar por uma cesariana de emergência, Lidiane Caroline Alexandre Mendonça, 28, também fez fisioterapia com auxílio dos óculos de realidade virtual durante a internação na UTI.

A tecnologia é utilizada como alternativa para controlar a ansiedade por estar longe da bebê que acabara de dar à luz. “A sessão de fisioterapia foi maravilhosa. É como se eu estivesse em uma praia e andando em meio à natureza. Eu até esqueci que estava aqui, num leito de hospital. Aliviou o meu nervoso e ansiedade”, disse à Folha.

O uso de óculos de realidade virtual durante as sessões de fisioterapia é algo relativamente novo, mas não é exclusivo do hospital do interior paulista. Hospitais públicos e particulares de Santos, Maceió e Rio de Janeiro, por exemplo, também utilizam a tecnologia no tratamento aos seus pacientes.

O projeto Saúde Pública tem apoio da Umane, associação civil que tem como objetivo auxiliar iniciativas voltadas à promoção da saúde.

Autoria: FLSP

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