Os Estados Unidos passarão a considerar a obesidade e o fato de ter filhos com necessidades especiais como razões para rejeitar vistos de imigrante.
Em comunicado enviado no início deste mês, o secretário de Estado, Marco Rubio, pediu às embaixadas americanas que considerem problemas de saúde como a obesidade ao emitir vistos de longa duração, sob o argumento de que ser obeso pode “exigir cuidados caros e prolongados”.
O memorando também pede às embaixadas que avaliem se a pessoa que solicita o visto tem um dependente com “deficiências, condições médicas crônicas ou outras necessidades especiais e requer cuidados” a ponto de o solicitante não poder trabalhar.
O comunicado foi revelado pelo site KFF Health News e seu conteúdo foi confirmado à agência de notícias AFP por uma pessoa que viu o documento.
Os EUA são o país com a maior população obesa do mundo, devido a fatores como dietas e falta de exercícios físicos. Cerca de 40% da população americana é obesa, com taxas médias mais altas nos estados que votaram em Trump.
As novas diretrizes valerão para pessoas que buscam imigrar para os EUA, mas não para os vistos B1/B2, para estrangeiros em viagens rotineiras de curta duração, para turismo ou negócios.
Há muito tempo as autoridades americanas avaliam a possibilidade de que uma pessoa se torne um “fardo público” —ou seja, dependa de recursos do governo— antes de admitir imigrantes, inclusive quando cidadãos americanos buscam vistos para trazer cônjuges.
De acordo com a KFF Health News, que disse ter analisado uma cópia do comunicado, as diretrizes enviadas pelo Departamento de Estado afirmam que “certas condições médicas —incluindo, entre outras, doenças cardiovasculares, doenças respiratórias, câncer, diabetes, doenças metabólicas, doenças neurológicas e problemas de saúde mental— podem exigir cuidados no valor de centenas de milhares de dólares”.
O presidente republicano tem se empenhado para encontrar motivos para negar a entrada de migrantes, no âmbito de sua repressão à migração, uma de suas principais promessas de campanha.
“Não é segredo que o governo Trump prioriza os interesses do povo americano”, disse Tommy Pigott, porta-voz do Departamento de Estado. “Isto inclui a aplicação de políticas que garantam que nosso sistema de imigração não seja um fardo para o contribuinte americano”, acrescentou.
Recentemente, o governo americano anunciou outras medidas restritivas: a obrigação de estudantes e intercambistas de tornar seu perfil nas redes sociais público durante o processo de solicitação do visto; o aumento da taxa para emissão do visto, de US$ 185 para US$ 250; e a obrigatoriedade de entrevista presencial.
Rubio também tentou cancelar vistos para pessoas vistas como contrárias à política externa dos EUA, inclusive por declarações sobre Israel.