O Einstein Hospital Israelita anunciou nesta quarta-feira (4) a criação de CCIs (Centros Colaborativos de Inovação) voltados ao desenvolvimento de novas tecnologias em saúde baseadas nas necessidades locais dos sistemas privado e público, com potencial de serem transformados em produtos e levados ao mercado local, regional e global.
Segundo Sidney Klajner, presidente do Einstein, e Rodrigo Demarch, diretor-executivo de Inovação, os centros estão em fase de estruturação. A expectativa é colocá-los em operação no primeiro semestre de 2026. O objetivo é ter pelo menos seis centros constituídos até o final de 2026. “Algumas atividades estão bastante adiantadas”, afirma Rodrigo.
Três empresas assinarão o contrato com o Einstein —os nomes ainda não podem ser divulgados.
“Os Centros representam uma evolução na forma como pensamos a inovação em saúde no Brasil. Nosso objetivo é criar um ambiente capaz de transformar conhecimento clínico e científico em tecnologias que são testadas e validadas em condições reais de cuidado para lançamento e escalabilidade”, afirma Sidney Klajner, presidente do Einstein Hospital Israelita.
Rodrigo Demarch explicou a ideia. “O Einstein e essa empresa, por exemplo, decidem qual é a área de interesse —pode ser clínica ou tecnológica. Dentro dessa área desenvolve-se uma série de potenciais projetos, conjuntamente. À medida que esses projetos são elencados, é escolhido qual começaremos a trabalhar”, diz o diretor-executivo.
De acordo com Demarchi, os projetos já foram escolhidos. “Estamos iniciando a fase de desenvolvimento de projetos de tecnologia, na verdade, projetos de inteligência artificial, plataforma digital e assim por diante”, diz Demarch.
Os centros ficarão alocados na Vila Einstein, nas proximidades do hospital, no Morumbi, zona sul de São Paulo. Cada um contará com 10 a 20 colaboradores, entre profissionais de saúde, técnicos e funcionários das empresas parceiras. O aporte anual mínimo para o desenvolvimento das inovações é de cerca de R$ 3 milhões por ano, por no mínimo cinco anos.
“A parte corporativa do hospital vai para a Vila Einstein. Terá um prédio dedicado aos centros colaborativos com trabalhadores no local e uma plataforma online também para esse desenvolvimento, especialmente quando o assunto for tecnologia, informática e geração de software”, explica o presidente da instituição.
As áreas de oncologia e radiologia estão na mira de um dos projetos. O objetivo é o desenvolvimento de um algoritmo que funcionará num software dentro das empresas. Os engenheiros e os médicos do Einstein constroem a solução digital.
O algoritmo pronto passará a ser validado cientificamente dentro do ambiente. Com a certeza de que o algoritmo funciona conforme planejado, é feito um processo de produtização.
O Einstein conversa com empresas de relevância que atuam na cadeia de suprimentos da saúde, de forma geral. Até o final de 2026, a expectativa é que seis empresas globais estejam com CCIs em desenvolvimento, nas áreas de equipamentos médicos, digital e indústria farmacêutica.
A criação dos centros está alinhada a práticas de organizações internacionais de referência, como a Cleveland Clinic e Mayo Clinic (Estados Unidos) e o Sheba Medical Center (Israel).
O lançamento dos CCIs ocorre em um contexto em que o Brasil ainda é um grande importador de tecnologias em saúde e investe, segundo o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), 1,2% do PIB em P&D, abaixo da média apresentada pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que é de 2,7%, e, sobretudo, dos países que mais se destacam nestes investimentos, como Israel (6,3%) e Coreia do Sul (5,0%).
O Einstein busca contribuir para fomentar a participação do país nas rotas internacionais de desenvolvimento tecnológico em saúde, fortalecer o capital humano e ampliar o impacto científico, econômico e social.