Pergunta: Recebo mensagens de texto raivosas de amigos e parentes com frequência. Mas a raiva deles não é direcionada a mim. Geralmente estão desabafando sobre algo que nenhum de nós pode controlar: um conhecido em comum, uma política governamental ou mau comportamento online.
Ainda assim, sinto como se estivesse sendo solicitado a absorver a irritabilidade de outra pessoa, e muitas vezes me sinto como um depósito de lixo para o aborrecimento deles. Quero responder de uma forma que não diminua os sentimentos deles, mas que também os deixe saber que não quero me envolver na raiva deles. Alguma sugestão?
Resposta: Não é só no seu celular. Vejo explosões de raiva em todo lugar online: na indignação justificada com nossa lamentável vida pública e nas reclamações barulhentas sobre queixas mesquinhas. Pior ainda, graças às redes sociais, seções de comentários e nossa conectividade digital 24 horas por dia, também parecemos ter um milhão de canais para desabafar nosso aborrecimento.
É um grande problema. Então, o que fazemos a respeito?
Tenho pouca inclinação (e menos direito ainda) de policiar os comentários dos outros. Eles têm o direito de ficar com raiva. Então, para minha paz de espírito, imito os pais jovens que vejo arrancando telas de seus filhos vorazes.
Estabeleço limites rígidos para meu tempo de tela e uso de dispositivos, especialmente para redes sociais e mensagens de texto ociosas. Claro, muitas das mensagens que recebo são calorosas e gentis! Mas essas geralmente não são as que ficam comigo. São as desagradáveis que me derrubam.
Agora, quanto às mensagens descontentes dos seus amigos, recomendo menos empatia do tipo que poderia encorajar mais desabafos (“Ah, isso deve ter sido tão irritante para você!”). Proteja-se: não é necessário responder a cada reclamação.
Deixe algumas mensagens passarem, mude de assunto quando possível e aprenda a arte da resposta indiferente: “Irritante! Mas não há muito o que fazer a respeito, né?” Quando seus amigos não receberem o estímulo que buscam de você, provavelmente levarão sua raiva para outro lugar.
Pergunta: Minha prima e eu levamos meu sobrinho-neto pequeno ao parque. Brincamos por um tempo e depois o levamos a um café para um lanche. Enquanto o tirávamos das camadas de roupa de inverno, notamos que ele estava usando apenas uma luva. Não conseguimos encontrar a outra em lugar nenhum, então minha prima e eu nos oferecemos para repor as luvas.
Os pais dele nos deram as informações: custo de reposição, com frete expresso da Finlândia: US$ 75! Minha prima se ofereceu para dividir o custo comigo e me viu fazer o pedido online. Mas já se passaram dois meses, e ela não me pagou. E eu não pedi. Socorro!
Resposta:Então, você está alegando que o fato de ter visto você fazer um pedido online criou, naquele momento, a obrigação da sua prima de pagar. Isso me parece estranho. Eu teria enviado uma mensagem para ela quando as luvas ou a fatura do meu cartão de crédito chegassem: “Mercadoria recebida! Sua parte: US$ 37,50”.
Envie essa mensagem agora e continue a usar suas palavras quando quiser coisas específicas de outras pessoas.
ELES SE DÃO BEM E EU ESTOU PERPLEXA
Pergunta: Meu irmão está em um relacionamento sério e se aproximou da família da namorada, particularmente da mãe dela. Nossa família é negra e muçulmana, e muitos de nossos parentes são imigrantes.
O problema: a mãe da namorada faz postagens nas redes sociais que são anti-imigrantes, islamofóbicas e racistas. Não entendo como meu irmão pode ser amigo dela. Devo trazer isso à tona com ele ou deixá-lo em paz?
Resposta: Lamento que alguém tenha que ver postagens odiosas nas redes sociais. Ainda assim, não entendo qual é seu objetivo final aqui. Você quer que seu irmão confronte a mãe da namorada ou se distancie da família dela (o que pode prejudicar um relacionamento importante), ou você está apenas curiosa?
Eu apostaria que seu irmão não gosta do preconceito da mãe, mas não escolhemos nossas famílias, e seu irmão parece um candidato improvável para mudar a visão de mundo da mãe da namorada.
Como homem gay, frequentemente tenho a experiência intrigante de ouvir pessoas fazerem comentários homofóbicos na minha presença enquanto também parecem genuinamente gostar de mim. Muitas vezes, não digo nada: escolho minhas batalhas.
Talvez seu irmão esteja adotando uma abordagem semelhante. Pergunte a ele sobre a amizade se estiver curiosa. Mas se seu verdadeiro objetivo é expressar desprezo por uma pessoa que provavelmente é uma presença constante na vida do seu irmão, eu deixaria isso de lado.
GRATIDÃO NÃO TEM DATA DE VALIDADE
Pergunta: Recebi meu doutorado em maio passado. Por algum motivo, adiei escrever notas de agradecimento aos membros da minha banca de dissertação. Agora, estou tão envergonhado pela minha procrastinação que sinto que não posso enviá-las. Como devo abordar isso? Devo gastar metade da carta me desculpando pelo atraso?
Resposta: Notas de agradecimento têm um propósito, e está bem no nome. Então, quanto mais tempo você gasta escrevendo sobre si mesmo —sobre sua procrastinação, por exemplo— menos focadas na gratidão as notas se tornam.
Escreva-as agora. Comece agradecendo aos destinatários. Você pode incluir um pedido de desculpas pelo atraso, mas não faça disso mais do que uma linha. Isso é irrelevante, na verdade.
Philip Galanes é um escritor americano e colaborador do The New York Times