Estudo: Maconha medicinal tem pouca evidência de benefício – 12/12/2025 – Equilíbrio e Saúde

Para tratar dor, ansiedade e distúrbios de sono, milhões de americanos recorrem à Cannabis, que agora é legalizada para uso medicinal em 40 estados. Mas uma nova revisão de 15 anos de pesquisas concluiu que as evidências de seus benefícios são muitas vezes fracas ou inconclusivas, e que quase 30% dos pacientes que usam cannabis medicinal atendem aos critérios para transtorno por uso de Cannabis.

“As evidências não sustentam o uso de Cannabis ou canabinoides neste momento para a maioria das indicações pelas quais as pessoas os usam”, diz Michael Hsu, psiquiatra especializado em dependência e instrutor clínico da Universidade da Califórnia em Los Angeles, e autor principal da revisão, publicada no mês passado na revista médica Jama. (Cannabis se refere à planta inteira; canabinoides são seus diversos compostos.)

A análise chega em meio à crescente aceitação e normalização de produtos de Cannabis, uma indústria de US$ 32 bilhões (R$ 173 bilhões, aproximadamente). Para a revisão, especialistas em dependência de centros médicos acadêmicos de todo o país estudaram mais de 2.500 ensaios clínicos, diretrizes e pesquisas realizadas principalmente nos Estados Unidos e no Canadá. Eles encontraram um grande abismo entre os propósitos de saúde pelos quais o público busca a Cannabis e o que a ciência de padrão ouro mostra sobre sua eficácia.

Os pesquisadores distinguiram entre a Cannabis medicinal, vendida em dispensários, e os canabinoides de grau farmacêutico —um pequeno número de medicamentos aprovados pela Food and Drug Administration, correspondente americano à Anvisa, com formulações que contêm THC de baixa intensidade, um composto psicoativo, ou CBD, um composto não intoxicante.

Esses medicamentos, incluindo Marinol, Syndros e Cesamet, estão disponíveis com prescrição em farmácias convencionais e têm apresentado bons resultados em aliviar náuseas relacionadas à quimioterapia, estimular o apetite de pacientes com doenças debilitantes como HIV/Aids e aliviar alguns distúrbios convulsivos pediátricos.

Os pesquisadores descobriram que os próprios médicos não têm um entendimento sólido sobre Cannabis medicinal. Eles citaram uma revisão de 2021 na qual apenas 33% dos clínicos globalmente estavam confiantes em seu conhecimento sobre a droga, e 86% disseram precisar de mais educação.

A dor é um dos principais motivos pelos quais as pessoas usam Cannabis medicinal, mas a revisão não encontrou evidências de que a Cannabis possa aliviar dor aguda. Ela citou as diretrizes de 2024 da American Society of Clinical Oncology, que afirmaram não haver evidência suficiente para recomendar, ou desaconselhar, a Cannabis no tratamento de dor relacionada ao câncer.

O tratamento de dor crônica não relacionada ao câncer trouxe resultados mais complexos. Diversas sociedades médicas observadas pelos autores da Jama recomendaram não usar Cannabis como terapia de primeira linha porque as evidências de sua eficácia são limitadas. Elas alertaram especificamente contra o uso por inalação, devido aos riscos de bronquite crônica e exposição a substâncias tóxicas.

Mas destacaram uma análise de oito ensaios que mostrou que algumas formulações com uma proporção maior de THC em relação ao CBD poderiam aliviar a dor, embora não tivessem impacto perceptível na função. Ainda assim, os analistas consideraram que eram necessárias investigações de maior qualidade antes que conclusões definitivas pudessem ser traçadas.

O desejo de dormir é outro motivo comum pelo qual as pessoas recorrem à Cannabis e aos canabinoides. Mas os pesquisadores disseram que os ensaios sobre sono também produziram resultados fracos ou inconclusivos, impedindo organizações especializadas de fazer recomendações firmes.

Mesmo assim, muitos usuários diários que inalam ou ingerem Cannabis antes de dormir atestam seu sucesso, observando que, se pulam uma noite, dormem mal —prova, defendem, de que a Cannabis funciona.

As leis estaduais determinam se a Cannabis pode ser vendida como medicamento, para recreação ou ambos. Mas, na prática, observa o artigo, os ingredientes básicos de cada tipo de produto são amplamente indistinguíveis, com algumas variações de dosagem e potência. O termo “cannabis medicinal” geralmente se refere ao motivo do uso pelo consumidor, mais do que a alguma característica específica do produto.

Fora os medicamentos aprovados por prescrição, a Cannabis é classificada federalmente junto com heroína e LSD como sem propósito médico e com alta propensão ao uso indevido. Em 2024, o Departamento de Justiça propôs movê-la para uma categoria menos restritiva.

Não há regulamentação nacional nos Estados Unidos para a Cannabis vendida em dispensários; a supervisão fica a cargo dos estados onde ela é legal. Os padrões estaduais de rotulagem, controle de qualidade e testes são altamente variáveis e aplicados de forma desigual, independentemente de o produto ser vendido como recreativo ou medicinal.

Diante da variedade de riscos à saúde identificados associados ao uso de cannabis, os pesquisadores pedem que os médicos realizem triagens mais completas em relação ao uso dos pacientes e monitorem possíveis interações perigosas com outros medicamentos.

Autoria: FLSP

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