A Afip (Associação Fundo de Incentivo à Pesquisa) informou à Prefeitura de São Paulo que vai suspender, a partir de 16 de dezembro, a realização de exames laboratoriais, como de sangue, fezes e urina, em cinco hospitais municipais e 111 UBSs (Unidades Básicas de Saúde) das zonas leste e oeste da cidade. O motivo, segundo eles, é uma dívida de R$ 120 milhões da gestão Ricardo Nunes (MDB) com a instituição.
“Nós não temos condições de continuar trabalhando sem receber. Infelizmente, chegamos no nosso limite e a situação se tornou completamente insustentável”, afirma o diretor-presidente da Afip, o médico Sergio Brasil Tufik.
Procurada, a Secretaria Municipal de Saúde afirma que “nenhum atendimento será interrompido na cidade em razão da rescisão unilateral de serviço da Afip”.
“Assim que foi comunicada da intenção da entidade, a pasta elaborou um plano de contingência para as unidades envolvidas que absorverá integralmente a demanda”, diz a nota da prefeitura.
A gestão afirma também que só neste ano pagou à associação R$ 212 milhões, “mantendo todos os repasses indenizatórios e contratuais para a continuidade dos serviços prestados”. “Há valores adicionais em fase final de conferência e liquidação estimados em R$ 102 milhões, seguindo integralmente os ritos previstos na legislação vigente e previamente comunicados à associação.”
A Afip afirma, por sua vez, que nos últimos 12 meses, não recebeu os valores referentes a 8 deles.
Sergio Brasil também rebate a informação de que a associação foi informada sobre pagamentos. “Em nenhum momento houve um compromisso por parte deles de nos pagarem pelos serviços que já foram prestados. E quanto mais nós pedimos, mais foi sendo dificultado, menos acesso nos deram e pararam de nos responder”, acrescenta.
Os hospitais que a Afip suspenderá os exames são: Planalto, Ermelino Matarazzo, Menino Jesus, Tide Setúbal e Hospital Municipal e Maternidade Prof. Mario Degni.
A decisão de interromper o trabalho, diz o diretor-presidente, é também uma forma de evitar que outros serviços prestados pela associação sejam prejudicados. Ele destaca que a Afip tem outros contratos com a própria Prefeitura de São Paulo e também com o governo estadual, além de prestar serviço para outras cidades do Brasil.
Em princípio, o objetivo da associação é evitar a demissão dos 350 profissionais que atuam nesta operação que envolve hospitais e UBSs das zonas leste e oeste. A ideia é a de que eles sejam realocados para outros trabalhos da Afip.
A instituição sem fins lucrativos diz prestar serviço para a Prefeitura de São Paulo desde 2001. No caso em questão, o último processo licitatório foi feito em 2017. De lá para cá, a Afip diz que recebe por meio de indenização.
Sergio Brasil afirma ainda já ter acionado o Ministério Público, a Câmara dos Vereadores e outras autoridades sobre o problema.
com DIEGO ALEJANDRO, KARINA MATIAS e VICTÓRIA CÓCOLO
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