Mais pessoas estão morrendo nos EUA antes dos 65 anos – 15/11/2025 – Equilíbrio e Saúde

Um estudo publicado na Jama Healt Forum na última na semana passada indica que mais pessoas estão morrendo com idades entre 18 e 64 anos nos Estados Unidos.

Na prática, significa que há mais pessoas morrendo antes de chegarem a usar o Medicare, o seguro de saúde federal dos EUA para pessoas com 65 anos ou mais, benefício pelo qual pagam ao longo de toda a vida de trabalho.

A pesquisa usou dados da própria Medicare e dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos 50 estados americanos e Washington.

O estudo, conduzido por Irene Papanicolas, professora de saúde e política na Universidade Brown, mostra uma elevação em dez pontos percentuais ainda maior entre a população negra.

Os pesquisadores analisaram as mortes nesse recorte etário entre 2012 e 2022. Neste período, houve um aumento de 27%, saltando de 243 para 309 mortes por 100 mil habitantes.

Embora parte do aumento seja atribuído a mortes relacionadas à pandemia da Covid, o resultado mostra desigualdades marcantes entre a população americana.

Além da segregação racial, há resultados díspares também por localização. Estados como Virgínia Ocidental, Novo México e Mississipi tiveram as maiores taxas de mortalidade prematura do país, enquanto Massachusetts e Minnesota, as menores.

A pesquisa resulta de outras duas análises conduzidas por Irene. A primeira delas sugere um aumento de mortes evitáveis e tratáveis no país, entre 2009 e 2019. São exemplos causas cardíacas e doenças respiratórias crônicas. Na contramão disso, óbitos similares diminuem em 34 outros países de alta renda.

Um segundo relatório, publicado em abril no New England Journal of Medicine, mostrou que riqueza geralmente confere saúde e longevidade. Americanos ricos, diz o estudo, têm 40% menos risco de morte que os pobres. Ainda assim, os ricos americanos vivem menos que os pobres do norte e oeste da Europa.

Segundo a pesquisadora, o resultado é importante para alertar sobre o aumento de mortes entre americanos que sequer vão ter acesso à saúde pelo Medicare, justamente no momento em que teriam mais tempo para aproveitar a vida.

Juntos, os estudos destacam que a saúde nos EUA é moldada menos pelos cuidados médicos do que por políticas, lugar e poder.

Assim, negros, que geralmente estão em posições menos favorecidas, morrem mais em 2022, por exemplo, a uma taxa de 427 mortes por 100 mil habitantes. Brancos representaram 316.

Thomas LaVeist, reitor da Escola de Saúde Pública e Medicina Tropical da Universidade Tulane, afirma que o tempo de vida de uma pessoa é determinado por três coisas: genética, comportamentos individuais e fatores sociais –como respirar ar poluído ou viver sob estresse crônico.

Um grande fator social é a falta de uma forte rede de segurança social nos Estados Unidos, em um momento em que o país luta contra cortes federais em programas de correção de desigualdades. Os EUA também atravessam um aumento no custo de vida.

LaVeis, destaca ainda o estresse contemporâneo como fator contribuinte no rol de causas de morte precoce.

Doenças crônicas (como o estresse constante) matam muito mais pessoas de 35 a 64 anos do que drogas e armas, segundo uma publicação do The Post. Elas eliminam mais que o dobro de anos de vida entre pessoas com menos de 65 anos do que todas as overdoses, homicídios, suicídios e acidentes de carro juntos.

Isso significa mais consultas médicas, mais medicamentos, mais hospitalizações e menos tempo trabalhando, voluntariando e aprendendo em uma época em que as pessoas deveriam estar no auge da vida, afirmam especialistas em saúde pública.

Autoria: FLSP

Leave a Comment

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Scroll to Top