Psicólogos famosos falam sobre publicar posts com ética – 08/11/2025 – Equilíbrio

Técnicas para aliviar a culpa, saber se está vivendo um “love bombing“, entender como a neurociência pode ajudar a se relacionar com as pessoas ou aprender a colocar limites nos seus filhos. Tudo isso em um minuto, direto do seu celular. Psicólogos que usam suas redes sociais para fazer vídeos curtos e informativos têm conquistado milhões de seguidores.

Maria Maia, 25, é psicóloga, neuropsicóloga e mestranda em psicologia. Seu perfil no Instagram tem 1,2 milhões de seguidores e mais de 2.000 publicações. Ela conta que começou a gravar ainda na faculdade, durante a pandemia, mas de um ano para cá viu seu número de seguidores quadruplicar.

Os vídeos, principal formato de seu conteúdo, variam entre diferentes assuntos: desde os efeitos psicológicos e neurológicos da fofoca, dicas para combater a insônia e até os prejuízos do uso recreativo de maconha. A maior parte é com base nos princípios da neurociência, mas todos são embasados em evidências científicas e referências, afirma.

“A responsabilidade ética permeia a vida inteira de todos os profissionais de saúde. E a gente vê que tem uma falta de responsabilidade muito grande nas redes sociais“, observa. “Então o critério para publicar é que eu tenha estudado o conteúdo, que geralmente leva de uma a três semanas para produzir, dependendo da profundidade do tema.”

Ela afirma que busca diferentes artigos científicos, de revistas conceituadas, e procura sempre trazer também o contraponto do assunto. Para manter a dinamicidade do perfil, ela alterna os conteúdos de psicologia e neurociência com coisas pessoais e da sua rotina, já que acredita ser impossível separar a pessoa da profissional.

O psicólogo Gabriel Magela, 28, com mais de 700 mil seguidores no Instagram, concorda que não há como separar ele, como “pessoa física”, do psicólogo. “Eu compartilho as ideias que eu tento, tomando cuidado para ser ético.”

Para cumprir esse zelo, ele segue os requisitos colocados pelo Código de Ética do CFP (Conselho Federal de Psicologia), evitando compartilhar informações de pacientes, que são sigilosas, generalizar as coisas ou vender soluções milagrosas.

“Dentro desse processo ético tem que respeitar todos os conceitos da psicologia como uma ciência humana e não ter nenhuma fala preconceituosa”, ressalta. Apesar de achar que as redes sociais trazem um espaço para alguma generalização, já que ali não é um setting terapêutico —ou seja, não é um ambiente terapêutico com todas as exigências criadas para uma sessão— e nem deve ter esse propósito.

Maria e Gabriel, pela idade, são parte da Geração Z, como são chamados constantemente de “nativos digitais” nascidos entre 1997 e 2012. É a geração que busca tudo o que deseja saber pelas redes sociais e são hiperconectados.

Mas o conteúdo das redes alcança outras gerações também, como é o caso do psicólogo Leonardo Fraiman, 56, autor da metodologia OPEE (Orientação Profissional, Empregabilidade e Empreendedorismo) de Projeto de Vida.

Fraiman conta que não tinha o desejo de entrar nas redes, mas foi convencido por uma colega depois de uma de suas palestras. “Se for para compartilhar conteúdo, que seja para transformar vidas de pessoas, aí, para mim, faz sentido.”

No seu perfil, em que divide principalmente ensinamentos sobre educação infantil, limites e parentalidade, ele tem mais de 2 milhões de seguidores. A maioria, segundo ele, mulheres entre 35 e 54 anos.

“Lá eu falo embasado em um conteúdo acadêmico consolidado, não dou opinião pessoal sobre as coisas. Não é o meu palco de exibicionismo, de palpite. É um multi megafone de formação e direcionamento para as pessoas que muitas vezes não têm acesso a um profissional”, afirma Fraiman.

A conselheira e porta-voz do CFP, Carolina Roseiro, diz que cada caso deve ser avaliado separadamente quando se fala de redes sociais, principalmente pela ética da propaganda que permeia esse ambiente.

Roseiro afirma que não há uma proibição da presença dos psicólogos em redes sociais, seja fazendo propaganda do próprio trabalho ou veiculando conteúdos relacionados à psicologia. “Mas tem que tomar cuidado para que esse formato não banalize o aconselhamento vinculado à profissão da psicologia“, afirma.

Ela explica que é ideal que o conteúdo seja feito de forma ilustrativa, sempre indicando quais foram as referências utilizadas para aquela produção, seja na legenda, no próprio vídeo ou no perfil do profissional.

“Não é uma regra que em todos os vídeos isso seja feito, mas na sua rede precisa estar associado o que que você usa de referencial para enunciar publicamente esses conselhos”, afirma.

Maria Maia diz acreditar que é importante também que o público que busca esses conteúdos saiba filtrar o que encontra. “Até mesmo as pessoas que você adora seguir, às vezes, vão falar uma besteira. Não tenha medo de ir pesquisar por si mesmo”, aconselha.

Autoria: FLSP

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