SP confirma caso de sarampo em bebê de 6 meses – 11/03/2026 – Equilíbrio e Saúde

O estado de São Paulo confirmou nesta quarta-feira (11) o primeiro caso de sarampo de 2026: um bebê de seis meses não vacinado, que contraiu a doença durante uma viagem à Bolívia em janeiro, de acordo com a Secretaria de Estado da Saúde. O caso foi notificado à pasta em fevereiro e confirmado agora por exames laboratoriais.

“O sarampo é uma doença extremamente contagiosa, das doenças infecciosas talvez a que apresenta a maior taxa de transmissão”, afirma Renato Kfouri, vice-presidente da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações). Segundo ele, um único caso pode gerar outros 16 em ambientes sem vacinação —índice conhecido como R0, que mede a capacidade de multiplicação do vírus.

Kfouri lembra que, além dos riscos diretos como pneumonia e encefalite, a doença provoca uma espécie de amnésia imunológica. “Quem tem sarampo acaba ficando mais suscetível, às vezes três a seis meses depois do quadro agudo, a outras doenças infecciosas”, explica.

O Brasil recebeu, em novembro de 2024, a certificação de país livre do sarampo, título que havia sido perdido em 2018 após surto com 40 mil casos e 40 mortes associados à baixa cobertura vacinal e à entrada do vírus pela fronteira com a Venezuela. A nova certificação foi possível após o último caso autóctone ser registrado no Amapá em junho de 2022, afirma o médico.

O especialista destaca que casos importados, por si só, não comprometem a certificação —segundo ele, o que a ameaça é a transmissão sustentada dentro do país.

“Sempre que a gente tem um caso importado, muitas ações são desencadeadas”, diz Kfouri, citando bloqueio vacinal, busca ativa de contatos, testagem e isolamento dos casos confirmados.

“O grande desafio é, neste cenário com tantos casos na região das Américas, mantermos aqui a região [Brasil] livre da transmissão”, afirma.

No último mês, a Opas (Organização Panamericana de Saúde) emitiu alerta sobre o crescimento de casos nas Américas, que aumentou 32 vezes entre 2024 e 2025. Segundo a organização, em 2025 foram registrados 14.891 casos de sarampo no continente, incluindo 29 mortes, das quais 22 (73%) ocorreram na população indígena.

A maioria dos casos foi registrada no México, que teve 6.428 confirmações e 24 mortes, seguido pelo Canadá, com 5.436 casos e dois óbitos, e os Estados Unidos, com 2.242 casos e três mortes.

No Brasil foram confirmados 38 casos em seis estados e no Distrito Federal —dez foram contraídos fora do país. Os casos foram confirmados em Tocantins (25), Mato Grosso (6), Rio de Janeiro (2), São Paulo (2), Rio Grande do Sul (1), Maranhão (1) e DF (1).

Quem deve se vacinar

A vacinação contra o sarampo faz parte do Calendário Nacional de Vacinação. A primeira dose é aplicada aos 12 meses (tríplice viral: sarampo, caxumba e rubéola), e a segunda aos 15 meses (tetra viral, que inclui também a varicela).

Crianças com até 6 meses, como no caso confirmado em São Paulo, ainda não estão em idade para receber o imunizante.

Pessoas de 5 a 29 anos devem tomar duas doses, com intervalo mínimo de 30 dias. Entre 30 e 59 anos, uma dose é suficiente. Profissionais de saúde devem comprovar duas doses da tríplice viral, independentemente da idade.

A Secretaria de Estado da Saúde afirma que monitora continuamente o cenário epidemiológico e que a vacinação é a principal forma de prevenção contra a doença.

Autoria: FLSP

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