Sedentarismo mata 5 milhões de pessoas por ano no mundo – 10/03/2026 – Equilíbrio e Saúde

A ausência de uma rotina regular de exercícios físicos é apontada como um problema de saúde global —cerca de 5 milhões de mortes por ano são associadas a uma vida inativa. O dado corrobora a importância do combate ao sedentarismo, algo que também envolve considerar desigualdades sociais. É isso que defende um artigo publicado na segunda-feira (9) na Nature Medicine. No estudo, pesquisadores apontam que gênero e renda são fatores que influenciam a adesão à prática regular de atividades físicas.

O artigo discutiu o tema do sedentarismo e os malefícios associados a ele a partir de desigualdades sociais e globais. Dados de 68 países acessados por meio de um sistema da OMS (Organização Mundial da Saúde) foram considerados pelos pesquisadores.

Dois pontos foram centrais para a análise dessas informações. O primeiro foi considerar evidências de que os benefícios da prática de atividade física vão muito além da prevenção a doenças cardiovasculares e obesidade. Segundo dados já levantados em outros estudos, o exercício físico regular impacta positivamente a imunidade contra doenças infecciosas e tem benefícios também contra câncer e depressão.

O segundo ponto foi observar como fatores sociais influenciam uma menor ou maior prevalência da prática esportiva em diferentes grupos populacionais. A partir disso, o objetivo dos autores do artigo foi desenvolver um modelo de análise de atividade física alinhado à realidade.

Essa preocupação resultou em diferentes conclusões. Uma delas diz respeito à disparidade de lazer ativo —quando a decisão de praticar exercício físico se dá de forma voluntária pelo indivíduo— entre grupos historicamente privilegiados e marginalizados. Os autores observaram que há uma diferença de até 40 pontos percentuais na prática regular de atividade física entre homens ricos em países ricos na comparação com mulheres pobres em países pobres.

Os autores apontam que essa conclusão evidencia “uma grande disparidade de oportunidades para o lazer ativo” entre diferentes grupos sociais. Além disso, os pesquisadores defendem a importância de discutir o tema a partir de diferentes fatores sociais a fim de evitar simplificações do assunto. Ao analisar apenas diferenças de gênero, por exemplo, as disparidades nos índices de sedentarismo foram menores do que ao considerar simultaneamente desigualdades de gênero e de renda.

Atividade física é subutilizada como política pública

Outro artigo publicado também nesta segunda-feira na revista Nature Health debateu o sedentarismo. De acordo com a publicação, mesmo com progressos na discussão de políticas públicas voltadas a reduzir as taxas de sedentarismo, poucas ações são de fato implementadas.

O estudo considerou dados de 218 países a partir do Observatório Global de Atividade Física. Entre 2004 e 2025, observou-se um aumento no número de países membros da OMS com políticas voltadas para a promoção de atividade física entre a população.

A repercussão, contudo, foi baixa, uma vez que os índices de atividade física regular não aumentaram de forma considerável. “A análise do conteúdo constatou que a maioria das políticas adotadas era altamente aspiracional, sem metas mensuráveis […], compromissos financeiros/de recursos ou agências responsáveis pela implementação”, escreveram os autores do artigo. Nesse ponto, um dos desafios apontados pelos autores do artigo está na falta de clareza em como definir políticas públicas para combater o sedentarismo.

O assunto foi considerado também no editorial da Nature Health. O texto reitera que a promoção de uma vida ativa é uma importante ferramenta de saúde pública, mas diz que a estratégia ainda é subutilizada. Uma forma de superar esse problema, afirma o editorial, é considerar a realidade de diferentes grupos para desenvolver planos personalizados.

“A saúde pública de precisão pode ajudar a desenvolver planos de atividade física que levem em consideração as necessidades e barreiras reais de uma pessoa, em vez de defender soluções genéricas e padronizadas”, escreveram os autores do editorial.

Autoria: FLSP

Leave a Comment

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Scroll to Top