Quando se mudou para o Rio de Janeiro, no final dos anos 1970, a hoje antropóloga Mirian Goldenberg começou a ouvir o nome de Leila Diniz (1945-1972). No Dia da Mulher, então, só se falava na atriz.
Ícone da revolução sexual e comportamental das décadas de 1960 e 1970, Leila Diniz desafiou os costumes conservadores da época ao posar de biquíni estando grávida e ao alardear sua constante vontade de transar.
No aspecto da sexualidade, não era exatamente a única. “Muitas mulheres faziam o que a Leila fazia”, diz Goldenberg em curso na CasaFolha, disponível para assinantes no site casafolhasp.com.br. Mas havia uma diferença. “A Leila fazia e dizia. E dizia publicamente.”
“Falando livremente sobre sua sexualidade, suas escolhas e seus desejos, a Leila era um signo de libertação”, diz a antropóloga, que anos depois estudou a atriz em seu doutorado.
“Qual foi a revolução libertária de Leila Diniz? Ser livre com seu corpo, ser livre com sua sexualidade e ser livre inclusive nas suas relações de trabalho, nas suas relações de amizade”, explica Goldenberg em uma das aulas no streaming de conhecimento lançado pela Folha.
Essas reflexões sobre Leila fazem parte do curso que a antropóloga comanda na plataforma, “Amor, Sexo e Traição Depois dos 40” , no qual apresenta achados de mais de 30 anos de pesquisas sobre amor, corpo, envelhecimento, problemas no casamento e infidelidade, entre outros temas.
Para assistir às lições de Goldenberg e aos demais cursos do streaming, é preciso ser assinante da CasaFolha.
É possível se vincular à plataforma pelo endereço casafolhasp.com.br/assine. A assinatura, com desconto promocional de 67%, sai por R$ 19,90 por mês no plano anual (R$ 59,90 sem a promoção) e inclui acesso ilimitado a todas as notícias da Folha no site e no aplicativo para celular e tablet.
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Na aula em que fala de Leila Diniz, a antropóloga descreve uma cena que foi relatada por um amigo da atriz, com quem um coronel insistia, sem sucesso, em ter relações sexuais.
Um dia, o coronel entrou no camarim de Leila e reclamou: “Você dá para todo mundo. Não vai dar para mim?”. A atriz retrucou: “É verdade, coronel, eu dou para todo mundo, mas eu não dou para qualquer um”.
Passadas algumas décadas daquela revolução, porém, a antropóloga enxerga uma contradição. A representação hipersexualizada do Brasil cria uma pressão quase inversa.
“Se antes, lá atrás, a mulher não podia ter prazer, agora virou uma obrigação. ‘Tenho que ter prazer, tenho que ter orgasmo, tenho que ter orgasmos múltiplos.’ E se não é assim?”
De acordo com Goldenberg, em uma cultura que pressiona de todos os lados, é importante falar em autonomia.
“Autonomia é diferente de liberdade. Eu posso ter mais liberdade sexual, mas eu posso não querer transar”, diz.
O curso de Goldenberg integra a Jornada Transformação Pessoal e Bem-Estar da CasaFolha, que também oferece aulas com Vera Iaconelli e Cida Bento, entre outras.
Ao todo, a CasaFolha já tem 34 cursos exclusivos comandados por grandes personalidades em diferentes áreas, como o ex-ministro Pedro Malan, que explica como analisa a economia, o cineasta José Padilha, que aborda a arte de contar histórias, e a chef Helena Rizzo, que fala sobre alta gastronomia.
Além disso, novos conteúdos são incluídos todos os meses na plataforma. Em fevereiro, por exemplo, estreou o curso de jornalismo com Sérgio Dávila, diretor de Redação da Folha. Em março, no dia 19, será a vez de Clóvis de Barros Filho, com aulas exclusivas de filosofia.