Anvisa registra mortes por pancreatite ligada a canetas – 07/02/2026 – Equilíbrio e Saúde

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) teve um aumento contínuo de notificações de casos suspeitos de pancreatite associada ao uso de canetas emagrecedoras no Brasil em 2020 a 2025. No total, foram seis mortes suspeitas. O dado foi revelado pelo G1 e confirmado pela Folha.

As notificações de casos e mortes envolvem medicamentos da classe dos agonistas do GLP-1, usados no tratamento de diabetes e obesidade, como semaglutida, liraglutida, lixisenatida, tirzepatida e dulaglutida.

A agência reguladora explicou, por nota, que recebeu ao menos 145 notificações de suspeitas de pancreatite associadas ao uso de canetas emagrecedoras entre 1º de janeiro de 2020 e 7 de dezembro de 2025, segundo dados do sistema VigiMed, voltado ao monitoramento de eventos adversos relacionados a medicamentos no país.

Segundo os dados do sistema, em 2020 foi registrado apenas um caso, número que subiu para 21 em 2021 e 23 em 2022. Já em 2023, as notificações chegaram a 27 e avançaram para 28 em 2024. Já em 2025, houve novo salto, com 45 registros, o maior volume da série histórica.

Do total de registros, seis notificações indicam desfecho suspeito de óbito, conforme informado pelos próprios notificadores. A Anvisa, no entanto, não informou em quais anos, entre 2020 e 2025, essas mortes teriam ocorrido.

De acordo com a agência, quando são incluídas também notificações provenientes de pesquisas clínicas, o número total de registros de suspeita de pancreatite sobe para 225 casos no período analisado. No entanto, a Anvisa não informou a data de quando são essas pesquisas.

Segundo a agência, a possibilidade de pancreatite já consta nas bulas desses medicamentos no Brasil, como evento adverso conhecido.

A Elly Lilly disse, em nota, que a bula de Mounjaro (tirzepatida) adverte que a inflamação do pâncreas (pancreatite aguda) é uma reação adversa incomum e aconselha os pacientes a conversarem com seu médico para obter mais informações sobre os sintomas de pancreatite e informar o médico e interromper o tratamento em caso de suspeita de pancreatite durante o tratamento com Mounjaro.

“Levamos a sério os relatos sobre a segurança do paciente e monitoramos, avaliamos e relatamos ativamente as informações de segurança de todos os nossos medicamentos”, disse, em nota.

A Anvisa reforça que a notificação de um evento adverso não significa comprovação de relação direta com o medicamento, mas é considerada uma ferramenta para o acompanhamento da segurança de produtos em uso pela população.

A agência reguladora afirma que pode haver mais casos. “É importante lembrar que nem todas as informações são relatadas pelo notificador, como por exemplo o nome comercial. Portanto, quando são codificadas somente pelo nome do princípio ativo não aparecem no painel quando a busca é realizada por nome comercial”, explicou à agência.

Os casos de suspeita de pancreatite relacionados a canetas emagrecedoras também acontecem em outros países. Como mostrou a Folha, em janeiro o Reino Unido afirmou que alguns pacientes morreram em decorrência de inflamação grave do pâncreas associada a medicamentos para obesidade e diabetes.

A Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde do Reino Unido (MHRA, na sigla em inglês) afirmou que médicos e pacientes devem estar cientes de que alguns episódios foram particularmente severos, ao reforçar o alerta sobre o uso desses medicamentos.

Especialistas ouvidos na reportagem sobre o caso do Reino Unido dizem que o risco de desenvolver pancreatite em pessoas que fazem uso desses medicamentos é baixo.

Segundo Célio Geraldo de Oliveira Gomes, gastroenterologista da Rede Mater Dei de Saúde e do Instituto Alfa de Gastroenteologia do Hospital das Clínicas da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), a hipótese para essa associação tem relação com “uma estimulação anormal das células do pâncreas, alterando a secreção e a composição das enzimas digestivas”.

Os efeitos dessa classe de medicamentos no pâncreas são uma preocupação desde o início dos estudos clínicos há 20 anos, afirma Bruno Halpern, vice presidente da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica) e diretor do Departamento de Obesidade da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia).

Autoria: FLSP

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