Anvisa aprova semaglutida para evitar infarto e AVC – 02/02/2026 – Equilíbrio e Saúde

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou nesta segunda-feira (2) a indicação da semaglutida para tratar risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC). A recomendação é válida para adultos com doença cardiovascular estabelecida ou obesidade e sobrepeso.

A medida amplia as recomendações para o uso da substância, princípio ativo do Wegovy e do Ozempic, medicamentos da Novo Nordisk, popularizados pelos resultados rápidos no tratamento de obesidade —e desenvolvidos para tratar diabetes. Com isso, médicos podem receitar os remédios para reduzir riscos como esses, os chamados eventos cardiovasculares adversos maiores.

Para o cardiologista Silvio Giopato, do Hospital das Clínicas da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), a autorização pode reduzir a indicência de infartos no longo prazo, mas o preço elevado dos medicamentos ainda é um empecilho para o tratamento. Os preços do Ozempice do Wegovy variam entre R$ 825 e R$ 1.799, a depender da dosagem. Os medicamentos não estão disponíveis no SUS.

Confira os novos valores para Ozempic e Wegovy:









Tratamento Dosagem Preço antigo Novo preço e-commerce Novo preço loja física Redução e-commerce Redução loja física
Wegovy e Ozempic 0,25 mg* R$ 1.026 R$ 825 R$ 925 19,6% 9,8%
Wegovy e Ozempic 0,5 mg R$ 1.063 R$ 963 R$ 1.063 9,4% 0,0%
Wegovy e Ozempic 1 mg R$ 1.110 R$ 999 R$ 1.099 10% 1%
Wegovy 1,7 mg R$ 1.643 R$ 1.399 R$ 1.499 14,9% 8,8%
Wegovy 2,4 mg R$ 1.981 R$ 1.699 R$ 1.799 14,2% 9,2%

* Não existe caixa de Ozempic 0,25 mg, mas versão dual dose (0,25 mg e 0,5 mg na mesma caixa)

Giopato avalia que o fim da patente do Ozempic, prevista para março, deve contribuir para tornar o tratamento mais acessível, mas, conforme noticiou a Folha, a proximidade do prazo tem gerado uma batalha lobbies no Congresso.

“Importante lembrar que apesar dos sinais positivos começarem num prazo de dois a três anos, o benefício pleno só ocorrerá com o uso contíno do medicamento. Aí é claro que o aspecto econômico pesa tornando a terapia não acessível para a maioria da população”, diz Giopato.

Segundo a agência, um estudo apresentado pela farmacêutica para solicitar a recomendação indicou que, quando acompanhada de dieta hipocalórica e aumento da atividade física, a semaglutida reduziu significativamente a ocorrência desses eventos. Procurada, a Anvisa não especificou quais os resultados do estudo citado como parâmetro para a mudança.

Os medicamentos, contudo, podem ajudar a reduzir os altos números de infartos e AVC’s no Brasil, que resultam em algo em torno de 400 mil mortes por ano.

A agência também permitiu a indicação do Ozempic para tratamento de pessoas com diabetes tipo 2 e doença renal crônica —ambas as doenças associadas. Ela cita um levantamento da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), de 2024, que indica um percentual de 29% de diabéticos entre pacientes de diálise no Brasil.

O diabetes é a principal causa de doença renal crônica no mundo. A glicose alta no sangue, ao longo do tempo, lesiona os vasos sanguíneos dos rins, que são responsáveis por filtrar o sangue.

“De acordo com o estudo apresentado pelo fabricante, o uso do medicamento, em conjunto com a terapia padrão da doença, reduziu de maneira relevante a progressão da insuficiência renal e as mortes causadas por eventos cardiovasculares adversos maiores”.

Autoria: FLSP

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