Nos últimos anos, muita gente decidiu levar mais verde para dentro de casa. Hashtags como #plantasdecasa e #plantlover acumulam milhões de visualizações nas redes sociais, com postagens que vão desde dicas de cuidados até sugestões de onde comprar. Elementos ligados à tendência Urban Jungle —que consiste em transformar os espaços internos em pequenas florestas particulares— também continuam em alta. O que explica o bem-estar imediato que sentimos ao entrar em um ambiente repleto de samambaias?
No Brasil, o mercado de plantas e flores ornamentais teve um forte crescimento entre 2017 e 2022 —com destaque para 2021, quando o aumento foi de 32%. Após uma leve queda em 2023 (graças a uma provável “ressaca” da pandemia), em 2024 houve um salto de 9,95%, que gerou um PIB de R$ 21,23 bilhões, de acordo com o relatório do Instituto Brasileiro de Floricultura e o Centro de Estudos em Economia Aplicada da Esalq-USP.
Um dos fatores que impulsionaram essa tendência foi a pandemia. Durante o isolamento social, muita gente buscou atividades manuais que proporcionassem alívio do stress e relaxamento. Nesse período, as plantas também se tornaram uma forma de preservar o contato com a natureza, mesmo em pequenos espaços.
Além disso, em uma sociedade onde as pessoas têm filhos cada vez mais tarde e em menor quantidade, esse hobbie pode suprir um possível desejo de responsabilidade e cuidado —no fundo, as expressões “mãe” e “pai” de plantas têm certa razão de ser. Compartilhar suas experiências com quem se interessa pelo assunto ainda traz a sensação de pertencer a uma comunidade e um movimento cultural mais amplo.
Estudos mostram que os espaços verdes dentro de casa —mesmo que pequenos— podem melhorar significativamente o nosso bem-estar. Tendo em vista que a maioria de nós passa cerca de 90% do tempo em ambientes fechados, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), essa é uma ótima notícia.
Um estudo britânico de 2025 reportou redução de stress e sintomas depressivos após um período cuidando de plantas indoor. E, segundo uma pesquisa da Chiba University, do Japão, publicada em 2019 no International Journal of Environmental Research and Public Health, observar elementos da natureza em ambientes internos pode reduzir a frequência cardíaca e a pressão arterial.
Boa parte desses benefícios se deve ao fato de que o momento de cuidado também funciona como uma pausa na correria. Enquanto você rega uma costela-de-adão em silêncio, consegue respirar profundamente, pensar na vida, ouvir música e relaxar. A necessidade de fazer a planta sobreviver abre, necessariamente, esse espaço na rotina. Por fim, de acordo com um estudo finlandês, o contato com a terra ainda pode melhorar o microbioma corpo, o que beneficia o sistema imunológico e o equilíbrio geral.
Nem tudo são flores
Mas nem tudo o que se diz por aí sobre as vantagens de ter uma sala verde faz sentido do ponto de vista científico. Um bom exemplo é uma suposta lista elaborada pela NASA de plantas que ajudariam a “purificar o ar”. Um estudo posterior, publicado no International Journal of Environmental Research and Public Health, jogou um regador de água fria sobre essa crença. Segundo a pesquisa, para isso funcionar, a quantidade de vasos precisa ser muito maior do que a maioria das casas costumam comportar.
Como começar
Cuidar de plantas nem sempre é tão simples quanto parece. Por isso, convém começar com espécies resistentes e que requerem pouca água, como espada-de-são-jorge, lírio-da-paz, cactos e suculentas. Outra ideia é cultivar algumas ervas aromáticas, como alecrim, lavanda e hortelã, que além de práticas, podem ser usadas para cozinhar ou preparar chás. Lojas especializadas podem dar orientação sobre quais tipos são adequados para o lugar onde você mora, segundo quantidade de luz, espaço, umidade… Aliás, a principal causa de morte de plantas costuma ser o excesso de água. Antes de regar, verifique se o solo está seco. Se você viaja bastante, vale instalar um sistema de rega automática (é bem simples!).
Se você já é uma pessoa apaixonada pelo verde e está sempre em busca de novas espécies para ampliar a sua coleção, é importante se informar para não adquirir nenhuma espécie ameaçada de extinção obtida por meio de contrabando. Se tem algum pet e agora quer ampliar a família, é bom saber que algumas são venenosas para cachorros e gatos —como a espada-de-são-jorge e a costela-de-adão. Alguma planta não sobreviveu? Não desista. É parte do aprendizado.