Como tirar cochilos revigorantes da maneira certa – 26/01/2026 – Equilíbrio

Winston Churchill era fã incondicional deles. Depois de um almoço regado a álcool e um charuto, o ex-primeiro-ministro britânico ia para a cama tirar uma soneca à tarde. A última parte do seu regime talvez valha a pena imitar.

Dormir durante o dia geralmente é privilégio de quem trabalha em turnos e de gatos. Mas a ciência sugere que quem trabalha em escritório também pode se beneficiar. Um estudo randomizado controlado de 2023 descobriu que quem tirava cochilos acordava com melhorias no humor, no estado de alerta e na memória.

Tirar cochilos regularmente também pode ser uma boa ideia. Um estudo de 2007 da Escola de Saúde Pública de Harvard descobriu que adultos saudáveis que tiravam cochilos regularmente tinham um risco 37% menor de morrer de doenças cardíacas em comparação com quem não cochilava. Outro estudo publicado em 2003 na revista Sleep Health sugere que o hábito de tirar cochilos pode até prolongar a vida, diminuindo a velocidade com que o cérebro encolhe com a idade.

O momento certo é crucial. Os especialistas em sono geralmente concordam que um cochilo curto e revigorante, entre 10 e 30 minutos, é o ideal. Por exemplo, em 1994, a Nasa descobriu que um cochilo de 26 minutos melhorava o estado de alerta fisiológico e o desempenho dos pilotos. Dormir por muito tempo faz com que você entre nas fases mais profundas do ciclo de sono de 90 minutos e acorde se sentindo grogue. Você também pode ter dificuldade para pegar no sono à noite.

Tirar sonecas mais longas regularmente pode até ter efeitos prejudiciais. Uma meta-análise de 2016 concluiu que sonecas diárias com duração superior a uma hora aumentam o risco de desenvolver diabetes e problemas cardiovasculares associados. E um estudo com 1.400 participantes, realizado em 2023, encontrou uma ligação entre sonecas prolongadas frequentes e um risco maior de desenvolver Alzheimer. Um despertador é uma ferramenta essencial para quem se preocupa com a saúde.

Alguns especialistas em sono defendem que os humanos têm uma predisposição biológica para tirar cochilos. Eles apontam para uma queda natural no estado de alerta após o meio-dia, causada por flutuações no ritmo circadiano. Estudos que mostram que cochilos rápidos não interferem no sono noturno também parecem reforçar a ideia de tirar duas sonecas por dia. Em culturas onde isso é comum, no entanto, quem tira cochilos ainda precisa descansar à noite pelas sete horas recomendadas.

Que tipos de consequências para a saúde, escreve o neurocientista Matthew Walker em “Por que Dormimos”, foram causadas pelo abandono do sono bifásico (a prática de dividir o sono diário em dois períodos)? Muitas pessoas reconhecem a sensação de letargia após o almoço; poucas cedem a ela. Hoje em dia, adormecer no meio do dia nem sempre é prático —os trabalhadores têm poucas oportunidades de fazer uma pausa voluntária da consciência. Alguns optam por microssonos. Mas as pesquisas sugerem que os benefícios de dormir menos de cinco minutos desaparecem rapidamente.

O café é um antídoto popular para a sonolência do meio do dia. Um cochilo rápido pode funcionar ainda melhor. Um estudo publicado em 2008 descobriu que cochilos rápidos são mais eficazes do que a cafeína para melhorar o estado de alerta e a memória. Pesquisas publicadas no ano passado sugerem que uma soneca no meio do dia pode até reverter os efeitos de uma noite mal dormida.

“O repouso e o sono no meio do dia”, escreveu Churchill em sua autobiografia, “revigoram o corpo humano muito mais do que uma longa noite”. Especialistas modernos em sono talvez não cheguem a tanto. Mas, se você tiver tempo para um cochilo à la Churchill, pode fazer bem. Só não se esqueça de programar um alarme.

Autoria: FLSP

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